
NA EDIÇÃO DE HOJE
📉 R$ 14,9 bi saem da B3 em maio, recorde desde 2022.
🇺🇸 Rubio coloca Brasil no grupo de Cuba e Venezuela.
⚔️ Flávio escreve a Rubio; Lula chama de traidor.
💉 GLP-1 no Brasil supera média global e redesenha consumo.
🎾 Fonseca cai nas quartas de Roland Garros e fatura R$ 2,7 mi.
O QUE IMPORTA HOJE
Em maio, estrangeiros retiraram o maior volume de recursos da Bolsa desde 2022, e o motivo não foi só sazonal: conflito no Oriente Médio, yields americanos nas máximas de quase duas décadas e risco eleitoral doméstico pesaram juntos. No mesmo dia, Marco Rubio classificou o Brasil ao lado de Cuba e Venezuela no Senado americano, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro transformaram a ameaça de tarifa de 25% em munição de campanha. E, para quem acompanha o varejo, um dado da Euromonitor muda o mapa do consumo: o Brasil já tem mais usuários de canetas emagrecedoras do que a média global.
Estes são alguns dos temas que movem a edição de hoje.
FINANÇAS
Estrangeiros retiram R$ 14,9 BI da B3 em Maio, recorde desde Janeiro 2022

Crédito: Germano Lüders 20/10/2016
Investidores estrangeiros retiraram R$ 14,91 bilhões da B3 em maio de 2026, o maior fluxo negativo mensal desde janeiro de 2022, segundo levantamento da Elos Ayta com base em dados da B3, desconsiderando aportes em IPOs e follow-ons. O número supera o recorde anterior de R$ 13,21 bilhões registrado em agosto de 2023. Incluídos IPOs e follow-ons, a saída líquida totaliza R$ 13,27 bilhões, também o maior da série desde 2022, contra recorde anterior de R$ 11,1 bilhões em abril de 2024.
A reversão ocorre após meses de entradas consistentes no 1T26, quando o dólar globalmente mais fraco e as perspectivas de cortes de juros pelo Federal Reserve posicionaram o Brasil favoravelmente entre emergentes. Quatro fatores explicam a virada, segundo analistas do BB Investimentos, Nomad e XP: o conflito entre Irã e EUA, iniciado em 28.02.2026, pressionou o petróleo e a inflação global; os yields das Treasuries atingiram os maiores patamares desde 2007; a rotação de volta ao trade de IA favoreceu bolsas americanas e emergentes asiáticos (Taiwan, Coreia) em detrimento de teses de commodities como o Brasil; e o risco político doméstico começa a ser precificado com a aproximação do calendário eleitoral de outubro.
O JPMorgan, em relatório de meados de maio, apontou que a tese pró-Brasil perdeu fôlego em função da reprecificação de juros e de um componente político específico: reportagem associando Flávio Bolsonaro ao ex-dono do Banco Master redesenhou probabilidades no mercado preditivo e pode alterar a dinâmica da corrida presidencial.
POR QUE ISSO IMPORTA: Quem tem posições em ativos brasileiros com hedge em dólar ou em emergentes asiáticos está capturando os dois vetores da reversão: se os yields americanos continuarem subindo e o risco eleitoral doméstico se aprofundar, o fluxo de maio pode não ser o piso.
GEOPOLÍTICA
Marco Rubio classifica Brasil ao lado de Cuba e Venezuela em audiência no senado

Crédito: Saul Loeb / AFP
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em audiência no Senado americano nesta terça-feira que o Brasil "não é um país amigável" a Washington, listando-o explicitamente ao lado de Nicarágua, Cuba e Venezuela ao descrever países que ficam fora da coalizão de aliados americanos no hemisfério ocidental. Segundo Rubio, o Brasil está "no meio de um ciclo eleitoral", o que influenciaria seu posicionamento. A fala ocorre um dia após o USTR propor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Rubio descreveu uma coalizão de "mais de uma dúzia" de países alinhados aos EUA no hemisfério, sem nomear todos, e afirmou que a cooperação envolve temas de segurança e desenvolvimento econômico. Brasil, Colômbia e México não foram convidados para o programa Escudo das Américas, lançado pelo governo Trump para o enfrentamento do crime organizado transnacional. O presidente colombiano Gustavo Petro foi classificado como "problemático" pelo secretário.
O contexto político é denso: a declaração de Rubio chega na mesma semana em que Trump classificou o PCC e o CV como organizações terroristas, dois dias após receber Flávio Bolsonaro na Casa Branca. A acumulação de movimentos hostis em sequência rápida, com o USTR, o terrorismo e agora o Senado americano, indica uma escalada deliberada da pressão sobre o governo Lula no período pré-eleitoral.
POR QUE ISSO IMPORTA: Ser classificado por um secretário de Estado americano no mesmo grupo de Cuba e Venezuela em audiência oficial do Senado é um fato sem precedente nas relações diplomáticas recentes entre Brasil e EUA, com potencial impacto direto no acesso a crédito e no fluxo de capitais para o país.
POLÍTICA / BRASIL
Flávio Bolsonaro envia carta a Marco Rubio pedindo fim das tarifas; Lula o chama de traidor

Crédito: Reprodução/X Eduardo Bolsonaro
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta terça-feira carta enviada ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que os EUA não apliquem as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros propostas pelo USTR na segunda. No documento, Flávio cita "sérios prejuízos ao povo brasileiro", aponta que a dívida bruta do governo ultrapassou 80% do PIB por primeira vez desde a pandemia, em R$ 10,4 trilhões, e que 81,7 milhões de brasileiros estão inadimplentes. O presidente Lula, em discurso em Catalão (Goiás), chamou Flávio de "traidor da pátria" e acusou a família Bolsonaro de pedir interferência estrangeira em eleições brasileiras. O PSOL pediu abertura de investigação no STF contra Flávio.
O eixo narrativo do PT é direto: o anúncio do USTR veio seis dias após Flávio se reunir com Trump, Rubio e o vice-presidente JD Vance em Washington. O eixo de Flávio também é direto: afirmou que a tarifa é "do Lula", reflexo do que classificou como "sentimento anti-americano" do presidente e de suas ameaças públicas ao governo americano. Paralelamente, Rubio classificou o Brasil ao lado de Cuba e Venezuela, sem qualquer menção a Flávio ou à oposição como vetor alternativo de alinhamento.
O primeiro tarifaço americano, em julho de 2025, havia ajudado a recuperar a popularidade de Lula, que estava em queda. O PT monitora se o mesmo efeito se repetirá; a oposição tenta transformar a pressão americana em prova de má gestão diplomática do governo. Flávio pode ser substituído como candidato até 15.08.2026, prazo de registro no TSE.
POR QUE ISSO IMPORTA: O tarifaço transformou-se em variável eleitoral em menos de 48 horas: quem enquadrar a narrativa do conflito EUA-Brasil como culpa do adversário nas próximas semanas vai afetar diretamente as pesquisas de segundo turno.
SAÚDE & COMPORTAMENTO
Brasil usa GLP-1 mais que o mundo e supera média global: 5,5% contra 3,7%

Crédito: Google Imagens
O Brasil registra uma taxa de adoção de medicamentos GLP-1 para perda de peso de 5,5% da população em 2026, superior à média global de 3,7%, segundo estudo da Euromonitor divulgado nesta terça. Quase metade dos brasileiros relata estar tentando emagrecer no período. Entre os usuários, 46% reportam redução no consumo de bebidas açucaradas e 32% relatam menor desejo por álcool, nicotina ou drogas ilícitas. Os usuários são majoritariamente das gerações Z e Millennial.
O estudo mapeia a migração do gasto desses consumidores para categorias de alimentos frescos, suplementos proteicos em pó e líquido, produtos capilares para tratar queda de cabelo como efeito colateral, e vestuário esportivo. A C&A inaugurou na semana passada a primeira loja independente de sua marca esportiva ACE, no Shopping Ibirapuera em São Paulo. Estabelecimentos de foodservice reportam adaptações com porções reduzidas e rodízios reformulados. A queda da patente da semaglutida, ocorrida em março de 2026, abre caminho para a chegada de genéricos e deve ampliar ainda mais o acesso ao mercado.
A Euromonitor aponta que, diferentemente dos EUA, o Brasil tem mais espaço para inovação em produtos de alimentação fresca voltados a usuários de GLP-1, dada a cultura local de refeição completa no almoço. O conceito de bem-estar no varejo está sendo redefinido pela adoção do GLP-1 em toda a cadeia, do foodservice ao vestuário, passando pela medicina diagnóstica, que registra aumento na demanda por exames associados ao tratamento.
POR QUE ISSO IMPORTA: Varejos de alimentos industrializados, refrigerantes, bebidas alcoólicas e snacks têm um problema estrutural crescente no Brasil: seu maior mercado do hemisfério sul está, literalmente, perdendo o apetite por seus produtos principais.
ESPORTES
João Fonseca cai nas quartas de finais de Roland Garros e fatura R$ 2,7 MI

Crédito: Emma Da Silva/AP Photo
João Fonseca, 19 anos, foi eliminado nas quartas de final de Roland Garros nesta terça pelo tcheco Jakub Mensik, 20 anos, por 3 sets a 0 (6/4, 6/3 e 7/6) na Quadra Philippe-Chatrier, em Paris, com o teto fechado por causa da chuva. A derrota garante ao tenista premiação de 470 mil euros, equivalente a R$ 2,7 milhões, e representa sua melhor campanha em um torneio de Grand Slam. Mensik avança às semifinais e enfrenta o alemão Alexander Zverev.
O resultado coloca o Brasil nas quartas de final da chave masculina de simples de Roland Garros pela primeira vez desde 2004, quando Gustavo Kuerten chegou a essa fase. Atual número 30 do ranking da ATP, Fonseca venceu no caminho o francês Luka Pavlovic, o croata Dino Prizmic, o sérvio Novak Djokovic (maior vencedor de Grand Slams da história, com 24 títulos) e o norueguês Casper Ruud, duas vezes vice-campeão do torneio. Com os pontos conquistados em Paris, Fonseca deve subir no ranking e ultrapassar o argentino Francisco Cerúndolo como melhor sul-americano da lista.
O próximo compromisso de Fonseca é o ATP 500 de Halle, na Alemanha, a partir de 15.06.2026, seguido pelo ATP 250 de Eastbourne, último torneio preparatório antes de Wimbledon.
POR QUE ISSO IMPORTA: Fonseca chegou às quartas com 19 anos derrubando Djokovic pelo caminho: marcas do tênis masculino costumam se consolidar no início dos 20 anos, e a curva de desenvolvimento de Fonseca está adiantada para a expectativa de mercado de patrocínio e de ranking da ATP.
RADAR HUB JOURNAL
O que estamos monitorando.
Com R$ 14,9 bi saindo da Bolsa em maio e os yields americanos nos maiores níveis desde 2007, qual é o piso do fluxo estrangeiro no Brasil antes de junho fechar?
A narrativa do "tarifaço do Lula" versus "tarifaço dos Bolsonaros" vai determinar quem sobe nas pesquisas em julho: como os dois campos vão emplacar seu enquadramento nos próximos 30 dias?
A patente da semaglutida caiu em março: quando os primeiros genéricos chegam ao mercado brasileiro e qual categoria de varejo vai sentir o impacto da expansão de acesso mais rápido?
Fonseca eliminou Djokovic em Roland Garros com 19 anos: quais contratos de patrocínio e endorsement estão em negociação, e qual é o teto financeiro realista para um tenista brasileiro de elite no ciclo Wimbledon 2026?
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ENCERRAMENTO
O Brasil acordou sendo classificado ao lado de Cuba por um secretário de Estado americano, com R$ 14,9 bilhões a menos na Bolsa e dois pré-candidatos presidenciais disputando a autoria de um conflito diplomático que ainda não tem desfecho. Do outro lado da equação, um tennista de 19 anos derrubou o maior campeão da história do tênis e chegou às quartas de Roland Garros. Às vezes o noticiário é assim: o macro pesa, mas o Brasil continua jogando.
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