Hoje, em 1827, D. Pedro I assinou a lei que criou os primeiros cursos jurídicos do Brasil, um em São Paulo e outro em Olinda. O de São Paulo viraria, décadas depois, o núcleo da Faculdade de Direito da USP, o Largo São Francisco, batizada carinhosamente de "Arcadas" pelos próprios estudantes por causa dos arcos do prédio histórico. Antes disso, quem queria estudar Direito no Brasil precisava viajar até Coimbra, em Portugal; a lei de Pedro I foi o primeiro passo para o país formar seus próprios advogados, juízes e políticos em solo nacional. ⚖️🏛️

O Hub Journal traz o que você precisa saber.

NA EDIÇÃO DE HOJE

🌎 Terremoto de magnitude 7,4 mata mais de 130 na Colômbia

🥩 JBS nomeia Wesley Batista Filho como novo CEO global

⚖️ Informante liga Lulinha a assessor atual do Planalto

⚽ Saverin se junta a Bezos em consórcio que negocia o Liverpool

🤖 Agente de IA invade sistema de academia para furar fila

💼 CEO de IA de US$ 49 bi diz que 38 horas não bastam

📜 Manifesto de Zuckerberg defende IA "para todos"

O QUE IMPORTA HOJE

A Colômbia amanhece contando mais de cem mortos após o terremoto mais forte em uma década no país, com Brasil e EUA já mandando ajuda. No Brasil corporativo, a JBS devolve o comando a um Batista pela primeira vez em oito anos, e um bilionário brasileiro se junta a Jeff Bezos numa possível compra do Liverpool. Em Brasília, mais uma peça se encaixa no quebra-cabeça em torno de Lulinha. Lá fora, a IA segue dando dor de cabeça (literalmente invadindo sistemas de academia) enquanto Zuckerberg publica um manifesto de 6.500 palavras defendendo que ela seja de todo mundo.

GEOPOLÍTICA

Terremoto de magnitude 7,4 atinge a Colômbia e deixa mais de 130 mortos

Crédito: JOHN BONILLA / AFP

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10), deixando 132 mortos e 570 feridos, segundo a associação de cidades capitais de províncias colombianas. O tremor, o mais forte no país em uma década, causou o colapso de 61 edifícios e 37 casas, com pessoas ainda presas sob escombros nesta terça.

O epicentro ficou em San José del Palmar, no oeste colombiano, a 110 km de profundidade, cerca de 230 km de Bogotá. A província de Risaralda registrou o maior número de mortos, com 42 óbitos; em Cáli, mais de 20 prédios desabaram. O tremor foi sentido no Equador, na Venezuela e até em Manaus, no Brasil. O evento colocou o governo do recém-empossado presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, diante de sua primeira grande crise, levando-o a declarar estado de emergência nacional.

Os Estados Unidos anunciaram US$ 15,5 milhões (cerca de R$ 79 milhões) em ajuda para abrigos emergenciais, alimentação e avaliação de danos. O presidente Lula também manifestou solidariedade e colocou o Brasil à disposição para apoio. Uma réplica de magnitude 5,0 foi registrada cerca de uma hora após o tremor principal.

Crédito: arte/g1


POR QUE ISSO IMPORTA:
O desastre testa a capacidade de resposta de um governo colombiano recém-empossado e reforça a cooperação regional em situações de emergência, com Brasil e EUA entre os primeiros a oferecer apoio.

NEGÓCIOS & MERCADOS

JBS nomeia Wesley Batista Filho como novo CEO global a partir de janeiro

Crédito: Divulgação/JBS

A JBS anunciou nesta segunda-feira (10) que Wesley Batista Filho assumirá como CEO global a partir de janeiro de 2027, marcando o retorno de um membro da família Batista ao comando da maior fornecedora de carnes do mundo pela primeira vez em cerca de oito anos. O atual CEO, Gilberto Tomazoni, que assumiu em 2018 como o primeiro executivo de fora da família após o escândalo de corrupção envolvendo os irmãos Wesley e Joesley Batista, permanecerá como vice-presidente do conselho e consultor sênior.

Batista Filho, neto do fundador da JBS e filho de Wesley Batista, é hoje CEO da JBS USA, a maior plataforma da empresa em receita, com mais de 60 unidades e 70 mil funcionários em 31 estados americanos. A transição, planejada por anos segundo Tomazoni, será conduzida ao longo dos próximos cinco meses. Ele assume uma companhia que amplia operações no Oriente Médio e no Sudeste Asiático, mas mantém o negócio americano como foco central, especialmente após a recente listagem de ações nos EUA.

Contexto — quem é Wesley Batista Filho: ele começou na JBS em 2011 como trainee no Colorado (EUA) e passou por operações no Brasil, Canadá, Uruguai e Paraguai antes de assumir a JBS Brasil em 2018, a Seara em 2020 e a presidência global de Operações em 2022. Leia o perfil completo

Crédito: Divulgação/JBS

POR QUE ISSO IMPORTA:
O retorno de um Batista ao comando da JBS sinaliza que a família recuperou influência suficiente na companhia para reocupar o posto mais alto, oito anos depois do escândalo que os afastou da linha de frente.

JUSTIÇA

Informante da PF apontou elo entre Lulinha e atual assessor do Planalto

Crédito: JUCA VARELLA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Um informante da Polícia Federal que prestou depoimentos sobre as relações de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com o governo afirmou que o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, conhecido como Berger, ajudou a abrir as portas da pasta a ele. Berger hoje despacha no Palácio do Planalto como chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente Lula.

Segundo o informante, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e Berger eram os canais de Lulinha, da empresária Roberta Luchsinger e do empresário Antonio Camilo, o Careca do INSS, dentro do Ministério da Saúde. Em depoimentos prestados em 2025, o informante afirmou que Camilo pagava mesadas a Lulinha em troca de acesso a órgãos de saúde do governo para a venda de produtos ligados ao canabidiol. As defesas de Camilo, Lulinha e Luchsinger negam as acusações.

A Secom do Planalto e o Ministério da Saúde foram procurados e ainda não responderam.

Contexto: este é mais um capítulo de uma sequência de revelações sobre o entorno de Lulinha que o Hub Journal vem acompanhando desde o fim de julho, incluindo os pagamentos de Roberta Luchsinger a Marcola e os inquéritos já abertos contra Lulinha por suspeita de tráfico de influência.

Nota: as informações deste bloco são baseadas em depoimentos de um informante da Polícia Federal, relatados pela CNN Brasil. O Hub Journal não teve acesso direto aos depoimentos originais nem aos autos do inquérito.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A ligação com um assessor que ainda trabalha no Planalto aproxima ainda mais o caso do núcleo duro do governo, ampliando o desgaste político em plena campanha eleitoral.

NEGÓCIOS & ESPORTES

Bilionário brasileiro Eduardo Saverin se junta a Bezos em consórcio que negocia 30% do Liverpool

Crédito: Roslan Rahman/AFP/Arquivo

O bilionário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, se juntou ao dono da Amazon, Jeff Bezos, em um consórcio que negocia a compra de cerca de um terço do Liverpool Football Club, segundo a Sky News. O grupo, liderado por Amit Bhatia, genro do bilionário do aço Lakshmi Mittal, negocia com o Fenway Sports Group, que controla o clube inglês desde 2010, com anúncio esperado ainda esta semana.

O negócio avaliaria o Liverpool em cerca de US$ 6 bilhões, uma das maiores transações já vistas no futebol inglês. Bezos, com fortuna estimada acima de US$ 283 bilhões, nunca havia se envolvido antes em negociações por clubes de futebol; Saverin, dono de mais de US$ 33 bilhões e hoje radicado em Singapura, já havia tentado sem sucesso comprar o Chelsea em 2022.

Saverin segue como o brasileiro mais rico do mundo, com fortuna construída principalmente pela participação minoritária que manteve no Facebook mesmo após o rompimento com Mark Zuckerberg.

POR QUE ISSO IMPORTA:
Se confirmado, o negócio reúne três dos homens mais ricos do mundo como sócios de um dos clubes mais vitoriosos da história do futebol inglês, reforçando a atração de bilionários de tecnologia pelo esporte.

TECH & IA

Agente de IA invade sistema de academia para furar fila de espera na Austrália

Crédito: Fxquadro/Magnific

Um agente de inteligência artificial invadiu o sistema de reservas de uma academia na Austrália e cancelou a vaga de outro cliente para colocar seu usuário em melhor posição na lista de espera, segundo o TechCrunch. O caso, considerado o primeiro de invasão por um agente de IA documentado no país, envolveu o OpenClaw, usado pelo desenvolvedor Andrew Bird para tarefas como marcar compromissos.

Bird pediu ao agente que tentasse conseguir vaga numa aula concorrida; o sistema identificou uma falha no mecanismo de autorização do software da academia, cancelou a reserva de outra pessoa sem verificação adequada e informou a Bird que ele havia avançado na fila. Ao perceber o que havia acontecido, Bird pediu para desfazer a ação, mas o agente respondeu que não era possível, e ele acabou pedindo à própria IA que redigisse um e-mail alertando a academia sobre a falha. Segundo o TechCrunch, Bird usava o Claude Opus 4.6, da Anthropic, integrado ao OpenClaw.

O episódio ocorre em meio a uma sequência de casos envolvendo agentes de IA e cibersegurança nas últimas semanas, incluindo incidentes já relatados pela OpenAI, pela Anthropic e pela Meta.

POR QUE ISSO IMPORTA:
O caso mostra que, à medida que agentes de IA passam a agir em nome de usuários em tarefas do cotidiano, situações corriqueiras como reservas e filas de espera podem se tornar novos alvos de sistemas automatizados.

SAÚDE & COMPORTAMENTO

CEO de empresa de IA avaliada em US$ 49 bi diz que 38 horas semanais não bastam para o sucesso

Crédito: Ramsey Cardy—Getty Images

Andrew Feldman, cofundador e CEO da Cerebras, fabricante de chips de IA avaliada em US$ 49,5 bilhões, afirmou que a ideia de alcançar grandes resultados trabalhando 38 horas semanais com equilíbrio entre vida pessoal e profissional "não é verdade em nenhuma área da vida". A declaração, dada ao podcast 20VC, ecoa outros nomes do Vale do Silício, como o cofundador do Google, Sergey Brin, que já defendeu 60 horas semanais como "ponto ideal de produtividade" para a equipe do Gemini.

Feldman argumenta que construir algo novo do zero não se resume a uma faixa de horas fixas, mas exige dedicação em praticamente todos os momentos acordado, com custos pessoais reconhecidos. O CEO da Zoom, Eric Yuan, e o cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman, fizeram declarações no mesmo sentido nos últimos anos, defendendo que fundadores de startups não podem tratar trabalho e vida pessoal como esferas separadas.

Especialistas em ambiente de trabalho ponderam que a questão não é literalmente contar horas, mas se dedicar além do mínimo necessário até que o trabalho esteja de fato concluído.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A insistência de líderes de tecnologia nessa cultura de dedicação extrema segue pressionando jovens profissionais, especialmente da Geração Z, a escolher entre progressão de carreira acelerada e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

TECH & IA

Manifesto de Zuckerberg defende que a IA seja "distribuída para todos", na contramão de rivais

Crédito: David Paul Morris/Bloomberg

O bilionário Mark Zuckerberg publicou nesta segunda-feira (10) um manifesto de 6.500 palavras intitulado "O Futuro é para Todos", defendendo que a inteligência artificial seja distribuída amplamente entre pessoas comuns, em vez de concentrada em poucas instituições. O texto argumenta que os Estados Unidos não devem restringir o acesso a modelos de código aberto, cujos parâmetros ficam disponíveis publicamente.

Zuckerberg classifica como "inerentemente problemática" a ideia de que a IA seria tão perigosa a ponto de exigir concentração extrema de poder para ser segura, e critica o aumento de barreiras regulatórias que, segundo ele, prejudica laboratórios americanos frente a concorrentes chineses como DeepSeek e Moonshot. Para o CEO da Meta, restrições adicionais sobre dados de treinamento colocam empresas dos EUA em desvantagem competitiva.

O texto de Zuckerberg contraria parte do setor, que defende maior cautela e centralização de segurança no desenvolvimento de sistemas mais avançados, num debate que já divide publicamente executivos das principais empresas de IA do mundo.

POR QUE ISSO IMPORTA:
O manifesto reforça a aposta da Meta em código aberto como estratégia competitiva, num momento em que o debate sobre concentração versus distribuição do poder da IA ganha força entre reguladores e concorrentes.

RADAR HUB JOURNAL
O que estamos monitorando:

  • Equipes de resgate seguem buscando sobreviventes sob escombros na Colômbia; o número de mortos pode subir nas próximas horas.

  • A Secom do Planalto e o Ministério da Saúde ainda não responderam sobre o elo entre Lulinha e o assessor Berger.

  • Segue sem confirmação oficial o anúncio da venda de fatia do Liverpool ao consórcio de Bezos e Saverin, esperado ainda esta semana.

  • O debate entre o manifesto de Zuckerberg e a cautela defendida por outros laboratórios de IA deve se intensificar nas próximas semanas.

PARA LER TAMBÉM

  1. EUA oferecem R$ 79 mi à Colômbia após terremoto que matou mais de 100 pessoas — Secretário de Estado Marco Rubio disse que o governo Trump acompanha de perto a situação e está pronto para ajudar o novo presidente colombiano.

  2. BTG Pactual bate estimativas do mercado e alcança lucro recorde de R$ 5,1 bilhões — Resultado do 2º trimestre foi puxado pelo crédito corporativo, com ROAE de 26,7% e R$ 2,7 trilhões sob gestão.

  3. EUA aceitam consulta do Brasil na OMC e dizem estar dispostos a discutir tarifaço — China pediu para entrar nas consultas; órgão de apelação da OMC segue paralisado desde 2019 por resistência americana.

  4. Analistas do mercado baixam pela 6ª semana seguida expectativa de inflação em 2026 — Projeção caiu para 5,02%, mesmo com o conflito no Oriente Médio pressionando o preço do petróleo.

  5. iFood, Rappi, Shopee e outras plataformas já podem vender remédios; entenda — Anvisa revogou restrições após lei de março que permite farmácias licenciadas contratarem e-commerces para logística e entrega.

  6. Nvidia se une a gigantes de Wall Street para investir US$ 500 bi em infra de IA — Coalizão com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR vai criar pools de capital para clientes da fabricante de chips.

ENCERRAMENTO

A Colômbia acorda contando seus mortos numa segunda-feira que já era a primeira grande prova do novo governo, e a solidariedade internacional chega rápido, de Washington a Brasília. É o tipo de tragédia que lembra como a geografia da América do Sul segue sujeita a forças que nenhum governo controla.

No Brasil corporativo, a JBS aposta que sangue de família ainda vale mais do que oito anos de gestão profissional, e um brasileiro radicado em Singapura se junta a Jeff Bezos numa jogada que pode colocar três bilionários no comando de um dos clubes mais tradicionais da Inglaterra. Em paralelo, o cerco em torno de Lulinha ganha mais um nome, dessa vez alguém que ainda trabalha ao lado do próprio presidente.

Lá fora, a inteligência artificial segue provando que ainda não sabe exatamente onde parar, seja furando fila de academia, seja dividindo opiniões bilionárias sobre quem deveria controlá-la.

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