Curiosidade: o primeiro produto vendido pela Amazon, em 1995, não foi um livro qualquer: foi "Fluid Concepts and Creative Analogies", um denso tratado de ciência cognitiva sobre inteligência artificial.

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NA EDIÇÃO DE HOJE

🍦 Häagen-Dazs deixa de ser distribuída no Brasil

🏦 Família Trump cria banco próprio com stablecoin

🛂 EUA preparam revogação de até 200 mil vistos

🧪 Braskem pede recuperação extrajudicial de R$ 56 bi

⚠️ Irã ameaça e oferece recompensa por Barron Trump

📵 Nova Zelândia avalia banir redes sociais para menores

🗳️ Moraes diz que modelo eleitoral brasileiro "faliu"

O QUE IMPORTA HOJE

O vice-presidente do STF cravou que o sistema eleitoral brasileiro "faliu" no mesmo dia em que a Braskem pediu socorro para reestruturar R$ 56 bilhões em dívidas, sinal de que a crise de crédito já chega à indústria pesada. Nos EUA, a família Trump ganhou aval para abrir seu próprio banco enquanto o governo prepara a maior revogação de vistos da história do país, e o Irã elevou o tom de ameaças contra a família do presidente americano. Fechamos com Häagen-Dazs deixando o Brasil após quase 30 anos e a corrida presidencial encolhendo para a margem de erro.

🗳️ ELEIÇÕES 2026
O que está rolando na corrida eleitoral.

  • Lula 46% x Flávio Bolsonaro 45% em eventual 2º turno, mostra pesquisa BTG/Nexus — vantagem que era de 3 pontos na semana anterior caiu para 1, dentro da margem de erro.

  • Romeu Zema (Novo) abriu a série de sabatinas da Globo prometendo baixar a Selic a 6% e dar anistia aos condenados do 8 de Janeiro.

  • Flávio Bolsonaro confirma presença na sabatina do Jornal Nacional na sexta (28), depois de recusar o debate da Band.

  • Globo entrevista os seis principais candidatos entre 24 e 29/08; Lula vai na quinta (27), ainda sem confirmação do Planalto. Veja datas

VAREJO & CONSUMO

Häagen-Dazs deixa de ser distribuída no Brasil após 29 anos

Crédito: Reprodução/Facebook

A Häagen-Dazs deixará de ser distribuída no Brasil após 29 anos de presença no país, informou a General Mills, dona da marca, nesta segunda-feira (24). A decisão integra um plano de reformulação de portfólio anunciado pela companhia em março.

A marca de sorvetes premium chegou ao Brasil em 1997 e se consolidou com potes, copinhos e picolés vendidos a preços mais altos que os de marcas tradicionais. Em março, a General Mills já havia fechado a venda de sua operação brasileira ao grupo 3corações por R$ 800 milhões, negócio que incluiu marcas como Yoki e Kitano e ainda depende de aprovação regulatória, com conclusão prevista para o fim de 2026.

A General Mills, dona também de marcas como Cheerios e Betty Crocker, registrou cerca de US$ 19 bilhões em receita em 2025 e emprega 3.500 pessoas no Brasil, com duas fábricas e seis centros de distribuição. A nova estratégia da companhia prioriza sorvetes premium, comida mexicana, snacks e alimentos para pets, mas fora do mercado brasileiro.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A saída marca o fim de quase três décadas de uma marca-símbolo do segmento premium no país, e reforça a estratégia global da General Mills de concentrar esforços em poucos mercados por categoria.

FINANÇAS

Família Trump recebe aval do governo para criar banco próprio com foco em cripto

Crédito: Al Drago/Bloomberg

A família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está prestes a criar seu próprio banco, depois que a World Liberty Financial, empresa ligada à família, recebeu aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda (OCC) para abrir uma instituição financeira nacional.

O banco deve se concentrar em ampliar a circulação da stablecoin USD1, criptomoeda vinculada ao dólar lançada pela própria World Liberty. Nos primeiros 19 meses do atual mandato de Trump, o OCC já aprovou 22 novas licenças bancárias, mais do que nos cinco anos anteriores somados, e recebeu cerca de 40 pedidos desde 2025, volume próximo ao total registrado nos 13 anos anteriores. Como parte do processo, três investidores da World Liberty, entre eles um filho de Trump, assumiram compromissos para limitar sua influência sobre a administração do banco.

Parlamentares democratas questionam se o USD1 pode se tornar instrumento para aproximar os negócios da família Trump do governo e de uma regulação mais favorável. A empresa nega conflito de interesse e diz que a licença bancária, ao contrário, amplia a fiscalização sobre ela, submetendo-a a regras de combate à lavagem de dinheiro e auditorias independentes.

Em aberto: a aprovação da World Liberty ainda é condicional — falta cumprir exigências como manter capital mínimo e contratar um auditor externo antes da licença definitiva.

POR QUE ISSO IMPORTA:
Trump se torna o primeiro presidente em exercício cujos filhos fundam um banco durante o mandato, num momento em que ele também exerce influência direta sobre a escolha dos reguladores que vão supervisionar essa mesma instituição.

GEOPOLÍTICA

EUA preparam a maior revogação coletiva de vistos da história, atingindo até 200 mil pessoas

Crédito: Uladzimir Zuyeu/GettyImages

O governo de Donald Trump se prepara para revogar os vistos de negócios e turismo de até 200 mil estrangeiros que solicitaram ou estão em processo de pedido de asilo nos Estados Unidos, a maior revogação coletiva de vistos da história do país, segundo documentos obtidos pela Associated Press.

O Departamento de Estado deve anunciar nas próximas semanas a revogação dos vistos B1 e B2, concedidos para negócios e turismo entre 2016 e 2026, para pessoas que solicitaram asilo depois de entrar no país como visitantes de curta duração. A ação será coordenada com o Departamento de Segurança Interna, e o número final ainda pode mudar, já que o processo será gradual. Nos últimos 18 meses, o Departamento de Estado já havia revogado cerca de 175 mil vistos de pessoas condenadas ou acusadas de crimes.

A revogação não significa deportação imediata: a maioria dos afetados deve ter o status migratório alterado, mas perde a condição de visitante de negócios ou turismo. A medida deve enfrentar contestação na Justiça americana.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A escala da medida amplia a política de restrição migratória do governo Trump e deve afetar diretamente estrangeiros que usaram vistos de curta duração como porta de entrada para pedidos de asilo nos EUA.

NEGÓCIOS & JUSTIÇA

Braskem vai pedir recuperação extrajudicial para reestruturar dívida de R$ 56 bilhões

Crédito: Divulgação

A Braskem, uma das maiores petroquímicas do Brasil, anunciou nesta segunda-feira (24) que vai pedir recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, equivalente a aproximadamente R$ 56 bilhões, após aprovação do Conselho de Administração. O pedido ainda não foi protocolado na Justiça.

A companhia afirma que a recuperação terá escopo limitado às dívidas financeiras, sem afetar obrigações com fornecedores e clientes, que seguem sendo cumpridas normalmente. Boa parte da dívida está em títulos emitidos no exterior. A Braskem também pediu a reestruturação da subsidiária mexicana Braskem Idesa, que entrou em recuperação judicial nos Estados Unidos pelo Chapter 11, com um aporte previsto de US$ 476 milhões da matriz para manter o controle da operação.

A crise da Braskem foi agravada pelos preços baixos do setor petroquímico e pelos custos ligados ao desastre da exploração de minas de sal em Alagoas, que causou afundamento do solo em bairros de Maceió e levou à remoção de milhares de moradores. A IG4 Capital adquiriu recentemente a fatia da Novonor (ex-Odebrecht) na companhia.

Em aberto: o pedido de recuperação extrajudicial ainda não foi formalmente protocolado na Justiça; a Braskem só oficializou a aprovação do Conselho, não o processo em si.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A reestruturação de R$ 56 bilhões é mais um sinal do aperto de crédito e da crise setorial que já derrubou varejistas e agora chega à indústria petroquímica brasileira.

GEOPOLÍTICA

Irã ameaça e oferece recompensa por captura do filho mais novo de Trump

Crédito: NewYork Post

A mídia estatal iraniana, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, divulgou nesta segunda-feira (24) um vídeo de três minutos com ameaças contra Barron Trump, de 20 anos, filho mais novo do presidente americano, segundo o New York Post. O material afirma que os movimentos do jovem estão "totalmente monitorados", sem que o Post tenha conseguido verificar de forma independente as alegações.

Múltiplos relatos indicam que o regime ofereceu uma recompensa de US$ 10 milhões pela captura de Barron, valor que o jornal também não conseguiu confirmar de forma independente. Procurado pelo Post, o Serviço Secreto dos EUA disse que está ciente do vídeo e investiga qualquer conteúdo que possa ser percebido como ameaça a quem protege, mas não comenta detalhes de segurança operacional por política interna.

O vídeo é o mais recente de uma série de ameaças: em julho, outro material ligado à Guarda Revolucionária já havia mirado Melania Trump, um outdoor na Praça da Revolução Islâmica, em Teerã, mostrou Trump dentro de um caixão, e um terceiro vídeo afirmava detalhar as rotas usadas pela comitiva presidencial entre Flórida e Nova York. O Irã já havia ameaçado Trump anteriormente, em represália à operação com drone que matou o general Qassem Soleimani em 2020.

Contexto: a nova ameaça ocorre no mesmo dia em que Trump classificou o Irã como estando em "colapso total" e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou o que chamou de maior ofensiva financeira já lançada contra um adversário, batizada de "Dia D econômico". A moeda iraniana, o rial, caiu a uma nova mínima histórica, e líderes civis do país, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian, sinalizaram publicamente buscar um acordo com os EUA na semana passada.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A ameaça direta a um familiar do presidente americano eleva o tom de um conflito que já dura seis meses, justamente na semana em que Washington escala a pressão econômica contra o regime iraniano.

TECH & IA

Nova Zelândia avalia banir redes sociais para menores de 16 anos, com multa de 10% da receita

Crédito: Anna Barclay/Getty Images

O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, anunciou que seu partido vai apresentar um projeto de lei para banir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, com multas de até 10% da receita global das plataformas em caso de descumprimento.

O projeto exigiria que as plataformas adotem medidas razoáveis para verificar a idade dos usuários, incluindo informações já cadastradas, tecnologia de reconhecimento facial e documentos de identidade digital. A Nova Zelândia seguiria o exemplo da Austrália, que em dezembro se tornou o primeiro país do mundo a banir redes sociais para menores de 16 anos, bloqueando o acesso a plataformas como TikTok, YouTube, Instagram e Facebook.

A proposta já enfrenta resistência: o partido New Zealand First, parceiro de coalizão de Luxon, disse que não vai apoiar o projeto, chamando a legislação australiana de "fracasso total" e defendendo que cabe aos pais, não ao Estado, afastar os filhos das redes sociais. Não está claro se o texto terá apoio suficiente para ser aprovado no Parlamento.

POR QUE ISSO IMPORTA:
Se aprovada, a medida amplia para um segundo país a proibição direta de redes sociais a menores, pressionando Meta, TikTok e Alphabet a padronizar sistemas de verificação de idade em mais mercados.

POLÍTICA

Ministro Alexandre de Moraes diz que sistema eleitoral brasileiro 'faliu' e defende fim do modelo proporcional puro

Crédito: Fábio Setti for The New Yorker

O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do STF, afirmou nesta segunda-feira (24), durante palestra no Tribunal de Contas do Município de São Paulo, que o atual modelo eleitoral proporcional "faliu" e defendeu a migração gradual do Brasil para o sistema distrital misto, começando com 30% das cadeiras e avançando progressivamente.

Segundo Moraes, o sistema proporcional puro produz parlamentares sem vinculação partidária real e enfraquece o funcionamento do Congresso. Ele citou episódios de instabilidade desde a Constituição de 1988, como dois processos de impeachment presidencial e os ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, mas afirmou que o Brasil "continua hoje uma democracia forte, com eleições marcadas".

O ministro também criticou a atuação das big techs, dizendo que houve "ingenuidade" em considerá-las neutras, e afirmou que os algoritmos das plataformas exploram frustrações de grupos sociais para direcionar conteúdo, especialmente durante eleições, transformando a disputa política em um mercado no qual candidatos viram produtos.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A fala de um dos ministros mais influentes do STF sobre a falência do sistema eleitoral atual reacende o debate sobre reforma política justamente no início oficial da campanha presidencial.

RADAR HUB JOURNAL
O que estamos monitorando:

  • A Braskem ainda vai protocolar oficialmente o pedido de recuperação extrajudicial na Justiça, com data ainda não definida.

  • O Departamento de Estado dos EUA ainda não definiu o número final de vistos a serem revogados, nem o cronograma completo da medida.

  • O projeto de lei da Nova Zelândia sobre redes sociais ainda não tem apoio parlamentar garantido para ser aprovado.

  • A proposta de Moraes de migração para o voto distrital misto depende de reforma política no Congresso, sem prazo definido.

PARA LER TAMBÉM

  1. Endividamento e juros altos já pressionam consumo, diz economista — Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, associa o crédito virado "bola de neve" à expansão rápida da bancarização sem educação financeira suficiente.

  2. Krugman aponta culpado pela dívida de US$ 40 tri dos EUA — Economista atribui o problema a cortes de impostos de Bush e Trump, não a gastos públicos ou envelhecimento populacional.

  3. Óculos Ray-Ban da Meta viram "arma de assédio", diz estudo — Análise de 350 vídeos mostra que 60% das interações filmadas às escondidas por "gurus da sedução" foram classificadas como possível assédio.

  4. Trump comprou ações da SpaceX de Elon Musk em junho — Investimento de até US$ 50 mil cria vínculo financeiro direto entre o presidente e uma contratada bilionária do governo americano.

  5. "Homem-Aranha: Um Novo Dia" pode superar "Titanic" em bilheteria — Filme já soma US$ 2,21 bi globalmente e mira ultrapassar "Vingadores: Ultimato" como 2º maior de todos os tempos nos EUA.

ENCERRAMENTO

O fio de hoje é a fragilidade das estruturas, institucionais e financeiras. Moraes chama o próprio sistema eleitoral brasileiro de falido no mesmo dia em que a Braskem pede socorro para reestruturar R$ 56 bilhões em dívidas, mostrando que a crise de crédito que já derrubou Casas Bahia e Marabraz agora alcança também a indústria pesada.

Lá fora, os Estados Unidos escalam a pressão sobre imigração e sobre o Irã ao mesmo tempo em que a família do presidente ganha aval para abrir seu próprio banco, um lembrete de como poder político e interesse privado seguem andando lado a lado em Washington. A ameaça direta a Barron Trump, por sua vez, mostra que a tensão entre EUA e Irã já extrapolou o terreno diplomático.

Na corrida eleitoral brasileira, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro encolhe para a margem de erro, justo na semana em que a Globo começa a entrevistar, um a um, os seis principais candidatos ao Planalto. Depois do debate esvaziado de domingo, essa sequência de sabatinas deve ser o primeiro teste real de bastidores da campanha.

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