Curiosidade: o daraxonrasib, remédio aprovado hoje contra câncer de pâncreas, mira uma proteína chamada RAS, que a medicina classificava como "undruggable" (intratável) havia mais de 40 anos.

O Hub Journal traz o que você precisa saber.

NA EDIÇÃO DE HOJE

📱 Meta paga US$ 18 bi por rede viciante

☢️ Renan defende que Brasil desenvolva dispositivo nuclear

🌊 Enchente no Nepal mata mais de 160 pessoas

🍕 Habib's pede recuperação judicial com dívida de R$ 265 mi

🤖 Bill Gates alerta para riscos da inteligência artificial

💊 FDA aprova pílula histórica contra câncer de pâncreas

O QUE IMPORTA HOJE

A Meta fechou o maior acordo já visto de uma rede social nos EUA sobre segurança infantil, pagando até US$ 18 bilhões para encerrar um julgamento histórico. No Brasil, um candidato à Presidência defendeu que o país rompa tratados internacionais para desenvolver seu próprio dispositivo nuclear. No Nepal, enchentes e deslizamentos já mataram mais de 160 pessoas, e Bill Gates soa alarmado com os riscos da própria tecnologia que ajudou a popularizar. Fechamos com uma pílula que pode mudar o tratamento de um dos cânceres mais letais que existem.

🗳️ ELEIÇÕES 2026
O que está rolando na corrida eleitoral

  • Renan Santos defendeu, em sabatina na Globo, construir 10 presídios federais por R$ 6 bi, adotar o modelo Bukele de segurança em favelas e desvincular gastos mínimos de saúde e educação. Veja a entrevista completa

  • Lula (PT) é o entrevistado desta quinta (27) na série da Globo, às 21h05, logo após o Jornal Nacional. Veja como assistir

  • TRE-SP reverteu, por 5 votos a 1, uma das condenações que tornaram Marçal inelegível, mas ele segue inelegível por outra decisão mantida em dezembro. Leia mais

TECH & IA

Meta paga até US$ 18 bi para encerrar julgamento histórico sobre redes sociais "viciantes" para crianças

Crédito: Kyle Grillot/Bloomberg

A Meta concordou em pagar até US$ 18 bilhões (cerca de R$ 90 bilhões) para encerrar um julgamento nos Estados Unidos que a acusava de projetar o Facebook e o Instagram para serem viciantes para crianças e adolescentes, anunciaram procuradores-gerais estaduais nesta quarta-feira (26). O acordo resolve ações movidas por 47 dos 50 Estados americanos, incluindo os quatro que já estavam em julgamento em Oakland, na Califórnia.

A empresa vem negando as acusações, mas concordou em pagar US$ 11,7 bilhões diretamente aos Estados ao longo de dez anos, além de US$ 75 milhões em custas legais e US$ 459 milhões para encerrar reivindicações antigas do escândalo Cambridge Analytica. Outros US$ 5,3 bilhões só serão liberados se concorrentes como YouTube e TikTok adotarem medidas de segurança semelhantes, o que elevaria o total a US$ 16,7 bilhões. O procurador-geral de Washington D.C., Brian Schwalb, chamou o acordo de "vitória monumental para a saúde pública dos jovens".

O julgamento reuniu evidências internas mostrando que executivos da Meta sabiam de problemas nas plataformas e não agiram. Um executivo da empresa disse não se lembrar de ter escrito que a Meta às vezes preferia pagar multas regulatórias a cumprir exigências mínimas de segurança. A Meta afirma que o acordo deve virar "padrão do setor" e incentivou TikTok e YouTube a adotarem as mesmas medidas.

O que muda na prática para os adolescentes

Dentro de seis meses, contas de adolescentes no Facebook e Instagram terão bloqueio automático entre meia-noite e 6h, e limite diário de duas horas de uso, ajustável apenas por responsáveis. A contagem de curtidas será ocultada e filtros de aparência estética, bloqueados. Dentro de um ano, a Meta terá que implementar um sistema de verificação de idade com margem de erro de no máximo 3% para jovens de 13 a 15 anos, e novos perfis não verificados após 14 dias passarão a ser tratados automaticamente como contas de adolescente. Um auditor independente vai monitorar o cumprimento do acordo por dez anos, e uma decisão separada proíbe a Meta de fazer declarações falsas sobre seus próprios recursos de segurança.

POR QUE ISSO IMPORTA:
O valor recorde e a amplitude das mudanças, se cumpridas, podem forçar todo o setor de redes sociais a redesenhar a experiência de adolescentes nos EUA, com efeito potencial sobre como as mesmas plataformas operam no resto do mundo.

POLÍTICA

Renan Santos defende que Brasil desenvolva dispositivo nuclear e rompa tratados internacionais

Crédito: Divulgação/Missão

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) defendeu, em entrevista à Globo nesta quarta-feira (26), que o Brasil desenvolva seu próprio dispositivo nuclear para garantir "soberania" e se proteger da "cobiça" de outros países sobre recursos como as terras raras. Ele disse estar disposto a romper tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário para isso.

O candidato não apresentou embasamento científico ou econômico para a proposta e reconheceu que o país não teria condições de desenvolver o programa nos próximos dez anos. Ele defendeu ainda a saída do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares da ONU, citando a Coreia do Norte, único país a abandonar o acordo, como exemplo a seguir. A Constituição Federal proíbe expressamente o uso, a fabricação ou o armazenamento de dispositivos nucleares no Brasil, no Artigo 21, inciso XXIII, e o país mantém acordo de cooperação nuclear com a Argentina que exige transparência sobre estoques de urânio enriquecido.

Questionado sobre a imagem que a medida passaria a outros países, Renan disse que os EUA é que deveriam resolver sua própria falta de soberania sobre terras raras, já que o Brasil tem a segunda maior reserva do mundo.

Contexto: dias antes, o próprio Renan já havia defendido a ideia em outra entrevista, dizendo que o Brasil precisa ter "bombas atômicas" para sentar à mesa com EUA, Rússia, Índia e China, e reconhecendo não ter estudo técnico para sustentar a proposta.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A defesa pública de um dispositivo nuclear por um candidato presidencial rompe com décadas de política externa brasileira de não proliferação e pode gerar reação diplomática antes mesmo do primeiro turno.

NEGÓCIOS & JUSTIÇA

Dona do Habib's e Ragazzo entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões

Crédito: Reprodução / Habib's

O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib's, Ragazzo e Tendall, entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira (24), declarando uma dívida de R$ 265,2 milhões. O pedido foi aceito na terça-feira (25) pela Justiça de São Paulo, que nomeou a KPMG como administradora judicial.

O grupo atua no Brasil há quase 40 anos e possui 119 lojas próprias do Habib's, 26 do Ragazzo e seis churrascarias Tendall, além de uma ampla rede de franquias não incluída no processo. Em nota, a empresa atribuiu parte da crise aos efeitos da pandemia, que reduziu o movimento em shoppings e centros urbanos onde estavam concentradas muitas lojas, à expansão do delivery, que mudou hábitos de consumo, e à alta dos juros, que encareceu as dívidas justamente num momento de menor movimento.

A KPMG tem 15 dias para apresentar um relatório sobre a situação das empresas, e o grupo terá 60 dias, a partir da publicação da decisão, para apresentar um plano de reorganização das dívidas. Se o prazo não for cumprido, a recuperação judicial pode ser convertida em falência. As lojas seguem funcionando normalmente.

POR QUE ISSO IMPORTA:
O caso reforça que a crise de crédito caro e juros altos, que já derrubou Casas Bahia, Marabraz e Braskem neste ano, também alcança redes de alimentação com décadas de operação no país.

CLIMA & MEIO AMBIENTE

Enchente e avalanche na fronteira do Nepal com o Tibete matam mais de 270 pessoas

Crédito: AFP via Getty Images

Inundações repentinas e deslizamentos de terra na fronteira do Nepal com o Tibete já mataram mais de 270 pessoas, com cerca de 800 ainda desaparecidas, segundo balanço mais recente das autoridades. O desastre atingiu vilarejos inteiros na região de Rasuwa, perto do rio Bhotekoshi.

Um balanço anterior apontava 403 pessoas desaparecidas, incluindo 341 estrangeiros, muitos deles indianos. Imagens aéreas mostram danos generalizados em casas, estradas e pontes. Embora autoridades tenham inicialmente atribuído o evento a um terremoto, análise mais recente do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indica que não houve tremor, e que a causa foi um colapso glacial seguido de fluxo de detritos.

O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, disse que o país está "chocado e profundamente consternado". EUA, China, União Europeia e Índia, entre outros países, já enviaram ou prometeram ajuda humanitária, com cerca de oito toneladas de suprimentos despachadas até agora. Cientistas afirmam que as mudanças climáticas vêm acelerando o derretimento de geleiras no Himalaia, mas dizem ser cedo para determinar o papel exato desse fator no desastre.

Crédito: Reuters

POR QUE ISSO IMPORTA:
A tragédia reacende o alerta sobre o risco crescente de eventos climáticos extremos em regiões montanhosas dependentes de geleiras, à medida que o aquecimento global acelera esse tipo de colapso.

TECH & IA

Bill Gates alerta que IA vai eliminar mais empregos do que criar, e critica silêncio de líderes de tecnologia

Crédito: Bennett Raglin/Getty Images for The New York Times

Bill Gates publicou nesta quarta-feira (26) um ensaio de quase 6 mil palavras alertando que a inteligência artificial pode se tornar "o maior igualador já inventado, ou a pior fonte de injustiça", em movimento acompanhado de entrevistas ao New York Times e à Semafor. O fundador da Microsoft disse esperar que a transição para a nova era da IA seja "um dos períodos mais turbulentos da história humana".

Segundo Gates, diferentemente de revoluções tecnológicas anteriores, que criaram mais empregos do que destruíram, a IA deve fazer o oposto, afetando praticamente todas as profissões. Ele disse à Semafor estar "em estado de choque" por ser, segundo ele, um dos únicos a soar o alarme publicamente, e afirmou que líderes de tecnologia sabem dos riscos, mas evitam falar sobre isso por causa do dinheiro envolvido.

Gates também revelou ter terminado de escrever um livro sobre como evitar uma pandemia causada por um vírus projetado com IA, afirmando que "o risco de bioterrorismo é 50 vezes maior" que o risco natural atualmente. Ele disse temer uma reação popular contra a tecnologia caso os empregos eliminados não sejam bem geridos.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A mudança de tom de um dos maiores nomes da tecnologia mundial, historicamente otimista sobre IA, pode sinalizar uma virada na forma como a indústria discute publicamente os riscos da tecnologia que ela mesma está construindo.

SAÚDE

FDA aprova pílula que fez médicos aplaudirem de pé contra câncer de pâncreas metastático

Crédito: ASCO/Scott Morgan

A agência reguladora americana FDA aprovou nesta quarta-feira (26) o daraxonrasib, vendido nos EUA como Rasonque, para pacientes adultos com câncer de pâncreas metastático que já passaram por pelo menos um tratamento anterior. A aprovação veio cerca de seis meses e meio antes do prazo previsto pela agência.

O remédio, tomado uma vez ao dia, age sobre a proteína RAS, alterada em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas e considerada "intratável" pela ciência por décadas. Em estudo de fase 3 randomizado com 500 pacientes, publicado no Journal of Clinical Oncology, quem tomou o comprimido teve sobrevida mediana de 13,2 meses, contra 6,6 meses no grupo de quimioterapia, com queda de 60% no risco de morte. Mais de 31% dos pacientes tratados com o comprimido tiveram redução mensurável do tumor, contra 11,2% no grupo de quimioterapia, e apenas 1,2% precisou interromper o tratamento por efeitos colaterais, ante 11,2% na quimioterapia.

Os resultados provocaram uma rara ovação em pé durante a sessão plenária da ASCO, o maior congresso de oncologia do mundo, em junho. O câncer de pâncreas é diagnosticado já em estágio avançado em cerca de 80% dos casos, e tem sobrevida em cinco anos de apenas 3% na forma metastática, uma das mais baixas entre todos os tipos de câncer.

POR QUE ISSO IMPORTA:
A aprovação marca a primeira vez que a ciência consegue atacar de forma eficaz a proteína RAS, considerada um dos maiores obstáculos da oncologia, e deve se tornar o novo padrão de tratamento em segunda linha para um dos cânceres mais letais que existem.

RADAR HUB JOURNAL
O que estamos monitorando:

  • O acordo da Meta ainda depende de aprovação judicial, e outros Estados que não participaram desta rodada devem seguir com seus próprios processos.

  • YouTube e TikTok ainda não se pronunciaram sobre se vão adotar as mesmas restrições exigidas da Meta.

  • O Grupo Gennius (Habib's) tem até 60 dias para apresentar um plano de reorganização de dívidas à Justiça.

  • As operações de busca e resgate no Nepal continuam, e a contagem de mortos deve subir nos próximos dias.

PARA LER TAMBÉM

  1. Governo Lula processa Discord e pede indenização de R$ 500 mi — AGU cita falhas de proteção a menores e mulheres, incluindo caso ligado à morte de uma adolescente de 13 anos.

  2. Nvidia dobra receita e bate projeções no 2º trimestre — Empresa faturou US$ 96,2 bi, alta de 106%, e projeta receita acima de US$ 100 bi no trimestre atual.

  3. Hackers ligados à China atacaram Nasa, Senado e órgãos dos EUA — Departamento de Justiça americano apreendeu domínios de duas plataformas de invasão usadas desde pelo menos 2018.

  4. Vorcaro vai limitar depoimento à investigação sobre Banco Central — Primeira fala à PF desde que teve duas propostas de delação recusadas pela corporação e pela PGR.

ENCERRAMENTO

O fio de hoje conecta poder de mercado e poder de fogo. A Meta paga o maior acordo já visto no setor de tecnologia para encerrar um julgamento sobre crianças viciadas em redes sociais, no mesmo dia em que Bill Gates, um dos nomes mais influentes da própria indústria de tecnologia, soa o alarme sobre os riscos que a IA representa para o emprego e a sociedade.

No Brasil, a corrida eleitoral ganhou um capítulo raro: um candidato à Presidência defendendo abertamente que o país desenvolva um dispositivo nuclear e rompa tratados internacionais, algo que soa mais a bandeira de campanha do que política de Estado, mas que ainda assim expõe uma discussão real sobre soberania e recursos estratégicos, como as terras raras.

Fechamos com duas histórias que lembram que o mundo segue girando fora das manchetes de tecnologia e política: uma tragédia climática que já matou mais de 270 pessoas no Nepal, e uma pílula que devolve meses de vida a pacientes com um dos cânceres mais implacáveis que existem. Nem tudo, felizmente, é notícia ruim.

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